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Tren de Aragua: polícia em Roraima usa inteligência americana para rastrear criptomoedas da facção

Operação contra Tren de Aragua apreende dólares e Porsche A Polícia Civil usou tecnologia de uma empresa de inteligência dos Estados Unidos para rastrear e...

Tren de Aragua: polícia em Roraima usa inteligência americana para rastrear criptomoedas da facção
Tren de Aragua: polícia em Roraima usa inteligência americana para rastrear criptomoedas da facção (Foto: Reprodução)

Operação contra Tren de Aragua apreende dólares e Porsche A Polícia Civil usou tecnologia de uma empresa de inteligência dos Estados Unidos para rastrear e bloquear criptomoedas da facção venezuelana Tren de Aragua. Uma operação para desarticular o esquema de lavagem de dinheiro do grupo criminoso foi deflagrada nesta terça-feira (16), em Roraima e mais cinco estados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A tecnologia de rastreamento em blockchain permitiu localizar e congelar as moedas virtuais usados para lavar os milhões de dinheiro ilícito, obtidos com a venda de armas pesadas ao Comando Vermelho (CV). A investigação teve o suporte da empresa Chainalysis, líder global em investigação de transações com criptoativos, sediada nos Estados Unidos. Entenda 🔎: Blockchain é uma tecnologia que funciona como um grande livro de registros digital compartilhado por uma rede de computadores ao redor do mundo. As informações são organizadas como elos de uma corrente, e cada novo bloco só é adicionado após ser verificado e validado por toda a rede. Essa estrutura torna os registros praticamente impossíveis de serem alterados ou apagados, garantindo transparência e segurança sem precisar de um intermediário central. Batizada de "Rota do Norte", a operação mirou a desarticulação os braços logístico e financeiro da organização criminosa no Brasil. Durante as ações, 15 pessoas foram presas (duas delas em flagrante) em Roraima, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. A investigação identificou que o Tren de Aragua age com estrutura de empresa e utiliza mecanismos cada vez mais sofisticados para a ocultação de patrimônio. "Assim como as empresas, as facções criminosas têm se atualizado com relação às transações financeiras e usam até criptomoedas. Já é um outro lado de investigação que nós temos que tomar a partir de agora. Um lado mais especializado", destacou o delegado Hugo Cardias, titular da Delegacia de Repressão às Organizações Criminosas (Draco). Equipamentos apreendidos pela Polícia Civil em operação contra Tren de Aragua em Roraima. João Gabriel Leitão/g1 RR Principal operador preso Entre os alvos alcançados pela operação está Gustavo Vieira Rufino, apontado como principal operador financeiro da facção venezuelana no Brasil. Ele foi preso na terça-feira (16) no Rio de Janeiro. Segundo a polícia, Gustavo Rufino exercia um papel estratégico no gerenciamento, movimentação e ocultação dos recursos do Tren de Aragua no país. A ofensiva da Polícia Civil teve como alvos principais os próprios estrangeiros que migraram para gerenciar o crime. Foram expedidos 18 mandados de prisão preventiva contra criminosos venezuelanos e sete contra brasileiros. A atuação da facção em Roraima é monitorada desde 2018. ➡️ Fundada em uma prisão na Venezuela, a Tren de Aragua atua em países como Colômbia, Bolívia, Peru e Chile com crimes que incluem sequestro, extorsão, mineração ilegal e tráfico de drogas e de pessoas. No ano passado, os Estados Unidos classificaram o grupo como organização terrorista estrangeira, a mesma designação aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho. 'Simbiose' com Comando Vermelho A necessidade de lavar o dinheiro no ambiente virtual ocorre devido ao volume financeiro gerado pela aliança entre o Tren de Aragua e o CV. O elo é classificado pela polícia como uma "simbiose" motivada pelo alto poder de compra da facção brasileira e pelo acesso a armas pesadas que os estrangeiros possuem. O grupo venezuelano usa Roraima como corredor estratégico para trazer metralhadoras calibre .50, fuzis e lança-granadas oriundos dos Estados Unidos, da Colômbia e da Venezuela. O destino final do arsenal são os membros do CV no Rio de Janeiro e no Amazonas. "Há um conjunto probatório robusto de que essas armas eram enviadas para o estado do Amazonas e, em um segundo momento, para o estado do Rio de Janeiro. Armas oriundas dos Estados Unidos, da Colômbia e da Venezuela", informou o delegado, Wesley Costa, responsável por parte das investigações. LEIA MAIS: Gustavo Rufino: Polícia prende suspeito de lavar R$ 300 milhões para facção venezuelana Armas dos EUA: Tren de Aragua fornece armamentos para CV, revela investigação Blockchain: Entenda o que é blockchain, a tecnologia por trás do bitcoin Rota do Norte: Tren de Aragua usa RR como corredor para tráfico internacional de armas Dólares apreendidos com alvo de operação contra facção Tren de Aragua em Boa Vista Arquivo pessoal Operação Rota do Norte Além das 15 prisões e do congelamento dos ativos financeiros, as equipes apreenderam cerca de R$ 350 mil em valores convertidos. Foram recolhidos R$ 76.725 em espécie, além de US$ 48.285 (dólares) e € 35 (euros). Três máquinas de contar dinheiro e 17 aparelhos celulares também foram confiscados. A polícia apreendeu ainda 11 veículos, incluindo carros de luxo como um Porsche no Rio de Janeiro e um Land Rover em São Paulo. Em Roraima, os agentes confiscaram uma caminhonete S10, um Creta, um HR-V e um HB20. Foram recolhidas porções de metanfetamina, ecstasy, maconha, cocaína e loló, além de munições e uma pistola calibre 380. Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.